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22 DE FEVEREIRO DE 2016, SEGUNDA FEIRA
POLEMICAR: reflex√£o breve de Cipriano Justo
As prioridades pol√≠ticas do Minist√©rio da Sa√ļde
O Ministro da Sa√ļde defendeu a transplanta√ß√£o de √≥rg√£os como prioridade para a sa√ļde quando visitou, recentemente, o Hospital de Santa Cruz, um centro pioneiro, de excel√™ncia, para a transplanta√ß√£o card√≠aca e renal no nosso pa√≠s. Cipriano Justo resolveu comentar como pode ser discut√≠vel a escolha de prioridades.
A prop√≥sito da cerim√≥nia que assinalou os 30 anos da primeira transplanta√ß√£o card√≠aca realizada em Portugal, no hospital de Santa Cruz, o Ministro da Sa√ļde declarou √† comunica√ß√£o social, a prop√≥sito, que ‚Äúa transplanta√ß√£o √© uma prioridade pol√≠tica‚ÄĚ. Este ser√° tamb√©m o ponto de vista do governo, o qual tem a legitimidade pol√≠tica para eleger as suas prioridades, nesta como noutras √°reas da governa√ß√£o.

Interessa, no entanto, questionar se neste caso a elei√ß√£o desta prioridade corresponde a uma necessidade em sa√ļde transversal a toda a popula√ß√£o ou se representa uma manifesta√ß√£o epis√≥dica de reconhecimento da import√Ęncia daquela medida terap√™utica, dada a sua sofistica√ß√£o tecnol√≥gica.
Desde logo devem distinguir-se o que s√£o prioridades pol√≠ticas e prioridades cl√≠nicas. Enquanto estas decorrem da melhor escolha sustentada na melhor evid√™ncia cient√≠fica de que contribui para tratar doentes e salvar vidas. A transplanta√ß√£o seria, desta maneira, um exemplo, entre tantos outros mais frequentes e com mais impacto na sa√ļde globalmente considerada.

J√° as prioridades pol√≠ticas em sa√ļde s√£o totalmente outra coisa. Considerado o perfil epidemiol√≥gico de uma popula√ß√£o - que nos pa√≠ses europeus √© maioritariamente representado pelas doen√ßas cr√≥nicas decorrentes da exposi√ß√£o a riscos ambientais e comportamentais, mas sobretudo a determinantes sociais negativos para a sa√ļde -, as prioridades s√£o fixadas tendo em vista alterar positivamente aquele perfil, traduzidos em diminui√ß√£o da morbilidade e da mortalidade espec√≠ficas, do aumento da esperan√ßa de vida e do aumento da esperan√ßa de vida saud√°vel.

Para este efeito, as prioridades políticas não estarão na natureza das escolhas clínicas, mas exclusivamente na eleição do que se quer melhorar e contribuir para alterar o perfil epidemiológico de toda a população. Por exemplo, em vez de aumentarem, o que há a fazer a montante de uma transplantação de maneira a poderem diminuir? Resumindo, prioridades clínicas para os clínicos, prioridades políticas para os governantes. Se se podem confundir as prioridades? Podem, mas não convém.


 

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