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11 DE JUNHO DE 2009, QUINTA FEIRA
Crise Capitalista, Renovação Socialista
por Rick Wolff
Está cada vez mais claro: há muito tempo que o capitalismo não era tão criticamente contestado nos Estados Unidos e o socialismo tão debatido como alternativa.
Publicado em 26 de Maio de 2009 by Rick Wolff

Está cada vez mais claro: há muito tempo que o capitalismo não era tão criticamente contestado nos Estados Unidos e o socialismo tão debatido como alternativa.A esquerda pode e deve agarrar a oportunidade. Uma parte para o fazer é formular um novo programa – incluindo uma nova definição de socialismo – que empunhe a consiciência das massas, se torne central no debate público, e inspire uma nova mobilização da esquerda nos Estados Unidos.

Primerio temos de ajustar contas com os (com as definições e práticas dos) socialismos do passado. Como o fez Engels no seu “Do socialismo utópico ao socialism científico”, temos de estabelecer o que é que os socialismos do passado conseguiram e o que não conseguiram superar e substituir relativamente ao capitalismo. A despeito da rudeza e implacável oposição, ponderosas organizações de trabalhadores, de esquerdas e socialistas foram construídas e foram alcançadas mudanças sociais. Uma rica tradição de esquerdas de crítica socialista e análise foi criada e expandiu-se globalmente. Nos séculos XIX e XX, a primeira onda do socialism anti-capitalista, modern tornou-se uma força social global. Contudo, onde e quando os socialistas fizeram rupturas revolucionárias contra o capitalism – tenham tomado ou não o poder de Estado – os avanços do socialismo provaram-se limitados, vulneráveis e muitas vezes temporários portanto. As histórias da URSS e da China. Tais como as daqueles programas e partidos comunistas no resto do mundo, atestam as distorções e reversões que redundaram na renovação do próprio capitalismo.

Houve, com certeza, muitas contribuições para a história do socialismo: as que se originaram de for a e as que trabalharam os seus efeitos por dentro. Preocupo-me com estas. Seguindo o modelo de Engels, eu exploro o que tem de mudar dentro do socialismo para melhorar as suas chances de alcançar um novo, mais evoluído e mais seguro avanço em mover a comunidade humana para além da injustiça, limites e custos do capitalismo. Vamos então falar dos subtítulos deste breve ensaio: Socialismo: Macro e Micro.
O socialismo do passado concentrou-se em duas grandes questões sociais: (1) a detenção da propriedade produtiva, e (2) o mecanismo de distribuição dos recursos e das produções. O capitalismo foi pois definido em termos do seu alicerçe na propriedade privada produtiva e nos mercados. Pelo contrário, o socialism abraçou a propriedade socializada produtiva e o planeamento económico nacional (normalmente operado pelo aparelho de Estado controlado pelos socialistas). O capitalismo e o socialismo diferenciavam-se em termos macro. Qual era então o significado do socialism ao nível micro da sociedade dentro das empresas individuais?

A resposta crua é: nem tanto. Nenhuma diferença clara do capitalismo para o socialismo emergiu quanto às estruturas internas das empresas. Enquanto os socialistas apoiaram e muitas vezes dirigiram as lutas dos trabalhadores por melhores salários e melhores condições de trabalho nas empresas capitalistas, as suas preocupações foram sempre de índole macro. Eles procuraram coordenar as lutas dos trabalhadores dentro das empresas com o desenvolvimento de movimentos políticos orientados para transformar a propriedade privada em propriedade socializada e os mercados em planeamento. Portanto, quando e onde os socialistas se tornaram politicamente dominantes, as estruturas internas das empresas não foram fundamentalmente alteradas. Os trabalhadores continuaram a terminar o seu dia de trabalho e a partir, deixando para trás os frutos do seu trabalho e deixando a outros – ao conselho de administração – as decisões sobre o que produzir, como, e onde, e o que fazer com os excedentes/lucros da produção. Na verdade, os socialistas apostaram na regulação estatal das decisões desses conselhos de administração por via de funcionários estatais.No entanto, as estruturas básicas ligando os trabalhadores aos decisores da empresa permaneceram, mesmo onde foram formatadas por socialistas, bastante semelhantes às suas congéneres capitalistas.

No “Do socialismo utópico ao socialism científico”, os pontos chave de Engels referem-se ao facto de muitos socialistas primitivos acreditarem que o poder das visões utópicas de uma sociedade melhor, pos-capitalista, poderiam não só capturar a imaginação popular mas realizar por si só o próprio socialismo. Mas argumentava Engels que eles não tinham tido sucesso. Tiveram portanto os socialistas de suplementar o socialismo com uma estratégia assente no materialismo (isto é científica) para conseguirem na prática transformar o capitalismo em socialismo. O socialismo científico deveria identificar os agentes revolucionários chave e mobilizá-los politicamente para essa transformação.

Contudo, o foco no macro por parte do socialismo científico também se mostrou inadequado para garantir a transição do capitalismo para o socialismo. Faltou-lhe o complemento do foco no nível micro, nomeadamente uma definição de socialism ao nível de cada empresa: especificamente, na ideia que as empresas sejam reorganizadas de tal forma que os trabalhadores se tornam colectivamente os seus próprios conselhos de direcção.Esta dimensão micro do socialismo acaba com a organização clássica de divisão das empresas capitalistas reduzindo a importância daqueles (o conselho de administração) que tomam decisões chave na empresa contra aqueles que trabalham mas não tomam decisões.

A gama completa de novas forças e potenciais disponíveis para o socialismo do século XXI se a ele se acrescentar a dimensão micro não pode aqui ser listada, ou mesmo ser elencada. Considerem-se apenas dois exemplos.Primeiro, um socialismo macro e micro institucionaliza a participação real dos trabalhadores em todos os aspectos da produção. O socialismo significará assim que os próprios trabalhadores estarão encarregados de transformar as empresas herdadas do capitalismo terminando com as divisões entre trabalho manual e mental, dirigentes e dirigidos. Construir uma nova sociedade socialista significará o papel continuo na reorganização das empresas em prol da igualdade, partilha, ou rotação de todas as funções específicas, e tomadas contínuas de decisão colectiva.O socialismo envolverá todos os trabalhadores no processo prolongado de auto-transformação em articulação com a transformação socialista ao nível macro.O resultado final habilitará e motivará os trabalhadores a participarem completamente na vida política e cultural, assim como na economia.

Segundo, um tal socialismo macro e micro pode trazer um significado concreto, prático em relação ás vagas referências à democracia socialista."Esse tipo de democracia deveria referir-se à forma como os colectivos de trabalhadores em cada empresa acedem a todas decisões chave. Estes colectivos de empresa entram necessariamente em deliberações contínuas e negociações uns com os outros e com colectivos democráticos similares baseados na área de residência para alcançarem decisões genuinamente sociais e democráticas.

O Socialismo Utópico contribuiu para a tradição socialista, o seu crescimento e maturidade, mas os seus limites desencadearam uma auto-crítica formulada à volta do conceito de socialismo científico advogado por Marx e Engels. O Socialismo Científico mais ainda reforçou a tradição na globalização e aprofundou as suas teorizações e práticas. Contudo, o socialismo científico ultrapassou agora o seu excessivo enviezamento macro e engendrou portanto uma nova auto-crítica. O resultado é a decisão de acrescentar o nível micro de forma a que o macro e o micro juntos forneçam de uma vez o apoio indispensável para, mas igualmente os limites democráticos a um e a outro. Pode uma concepção reconstruída de socialismo e um tal programa falhar do mesmo modo? É claro que pode, mas não há argumento contra a ideia que o socialismo dê um novo passo em frente como de resto os socialismos precedentes o fizeram. A crise global de hoje em dia expõe as falhas do capitalismo, mas oferece igualmente aos socialistas a hipótese de renovar o seu projecto se quiserem aprender e aplicar as lições da história do socialismo.

Rick Wolff é Professor Emeritus na Universidade de Massachusetts em Amherst e também Professor visitante na Nova Escola Universitária de Nova York onde leciona no Programa de Graduação em Assuntos Internacionais. É autor do livro “New Departures in Marxian Theory (Routledge, 2006)” entre muitas outras publicações. E não percam o novo documentário filmado de Rick Wolff sobre a presente crise económica, “Capitalism Hits the Fan”,em www.capitalismhitsthefan.com


 

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