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20 DE MARÇO DE 2007, TER√áA FEIRA
A Batalha de Lisboa
por Cipriano Justo
Ser√° que o esp√≠rito de capela dos partidos de esquerda vai impedi-los de construir uma solu√ß√£o cred√≠vel para o governo da cidade de Lisboa? E Abandonar a cidade ao decl√≠nio e ao p√Ęntano do seu actual desgoverno?
Quando o combate √† corrup√ß√£o e √† fraude d√° indica√ß√Ķes de reunir a vontade pol√≠tica, os meios e o suporte institucional para se tornar mais eficaz e reduzir uma das manchas que mais preju√≠zos e desprest√≠gio traz ao regime democr√°tico, os partidos pol√≠ticos n√£o d√£o mostras nem vontade de querer acompanhar este impulso no que diz respeito ao que vem sendo conhecido no munic√≠pio de Lisboa.

A situa√ß√£o instalada nesta autarquia tornou-se, aos olhos dos lisboetas e dos portugueses em geral, de leitura pol√≠tica incompreens√≠vel desde que dois vereadores do PSD se viram obrigados a suspender os mandatos por estarem constitu√≠dos arguidos em processos ligados a graves irregularidades no exerc√≠cio das respectivas esferas de compet√™ncias, em que PSD e CDS se envolveram em disputas pelo poder dentro da c√Ęmara, rompendo a alian√ßa que lhes permitia governar em maioria, e em que Carmona Rodrigues abdica do seu estatuto a favor da figura de porta-voz camar√°rio do l√≠der do PSD. As chaves que a viv√™ncia democr√°tica nos foi proporcionando para irmos descodificando as mais complexas e inesperadas situa√ß√Ķes n√£o est√£o a ser suficientes para compreendermos a raz√£o da resigna√ß√£o que os autarcas dos restantes partidos est√£o a dar mostra. Como √© comum em democracia, n√£o se trata de uma crise gerada pelo confronto entre diferentes vis√Ķes do que deve ser a pol√≠tica de uma aut√°rquia. Este tipo de crises resolve-se e ultrapassa-se aplicando os procedimentos em uso nestas circunst√Ęncias: o debate e o voto.

N√£o √© isso o que se est√° a passar na presente conjuntura. Foi o sistema de valores que deve estar presente e presidir aos actos dos servidores p√ļblicos que ficou seriamente abalado, pondo em causa e lan√ßando a suspeita sobre uma institui√ß√£o que, pela sua import√Ęncia simb√≥lica, deveria constituir uma refer√™ncia e um exemplo de boas pr√°ticas pol√≠ticas, governativas e gestion√°rias. Mais do que uma pol√≠tica concreta s√£o os valores que lhe est√£o associados que s√£o objecto de um permanente escrut√≠nio p√ļblico. As pol√≠ticas avaliam-se e sancionam-se no final dos mandatos, os valores s√£o normas que v√£o guiando e dando sentido √† sua aplica√ß√£o. As roturas no sistema de valores t√™m, por isso, reflexos √≥bvios n√£o s√≥ sobre a pr√≥pria institui√ß√£o como na aplica√ß√£o das pol√≠ticas. E a n√£o serem dados passos concretos e imediatos no sentido de ficar restabelecido o bom nome do munic√≠pio, os mais de dois anos que ainda faltam para uma nova consulta popular n√£o passar√£o de uma apagada e vil tristeza para a cidade.

Uma vez que o PSD j√° demonstrou a sua insensibilidade para a eros√£o a que diariamente o munic√≠pio de Lisboa est√° exposto, insistindo na manuten√ß√£o do actual quadro municipal, est√° a tornar-se inquietante e incompreens√≠vel o conformismo que os autarcas dos restantes partidos t√™m vindo a demonstrar. S√≥ um expediente t√°ctico pode estar a justificar o seu consentimento na manuten√ß√£o deste estado de coisas. Por√©m, a consolidar-se, ele poder√° virar-se contra quem est√° a investir num lento apodrecimento da situa√ß√£o e dando por adquirida uma inevit√°vel oscila√ß√£o eleitoral em 2009. Nem o argumento de que uma nova maioria camar√°ria ficaria condicionada pela actual composi√ß√£o da Assembleia Municipal √© suficiente para convencer os lisboetas de que nada deve ser tentado para alterar uma situa√ß√£o que ir√° sempre desenvolver-se no fio da navalha, caso nada seja feito. Pelo contr√°rio, uma nova maioria obtida n√£o deixaria de constituir uma inquestion√°vel fonte de legitima√ß√£o para tomar as medidas saneadoras do ambiente que actualmente se vive na c√Ęmara de Lisboa e um refor√ßo para o relan√ßamento dos projectos de desenvolvimento da capital.

PS, PCP e BE t√™m uma palavra a dizer sobre este assunto. Se n√£o a disserem, os lisboetas n√£o deixar√£o de fazer o devido registo do gesto, tomando o seu assobio para o lado como uma manifesta√ß√£o de tribalismo partid√°rio e desprezo pelos destinos da cidade. E a porta que agora podia facilmente abrir-se para uma sa√≠da e uma solu√ß√£o pode vir a transformar-se num muro intranspon√≠vel para os seus c√°lculos e aspira√ß√Ķes.




 

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