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12 DE DEZEMBRO DE 2010, DOMINGO
Entrevista a Jorge Bateira
A Crise económica e a situação nacional
RC (Renovação Comunista): Quais as consequências do Orçamento para 2011 agora aprovado?

Jorge Bateira: Vai produzir uma redu√ß√£o do consumo das fam√≠lias e uma redu√ß√£o do investimento p√ļblico e privado, o que por sua vez vai originar mais desemprego. O poss√≠vel crescimento das exporta√ß√Ķes para fora da UE apenas atenuar√° a recess√£o. Esta gerar√° menor receita fiscal e aumentar√° a despesa com subs√≠dios de desemprego. Em meados de 2011 ficar√° claro que o d√©fice previsto n√£o √© alcan√ß√°vel.

Por√©m, logo no in√≠cio de 2011, o Tesouro vai precisar de colocar mais d√≠vida p√ļblica no mercado. Nessa data, s√≥ o conseguir√° fazer a uma taxa superior a 7%, um valor que acelera o efeito ‚Äúbola de neve‚ÄĚ produzido pelos juros no total da d√≠vida acumulada. Nessa altura, por press√£o da Comiss√£o Europeia, da Alemanha, e provavelmente tamb√©m da Espanha, Portugal pedir√° o apoio do Fundo Europeu de Estabiliza√ß√£o/FMI.

Com a inicial nega√ß√£o da necessidade do apoio, seguida das negocia√ß√Ķes com os novos tutores, e depois a instala√ß√£o da sua equipa em Lisboa, estaremos perto do Ver√£o altura em que a degrada√ß√£o da execu√ß√£o or√ßamental chamar√° a aten√ß√£o dos credores. Estes ir√£o propor um novo PEC, com mais cortes na despesa e maior desregulamenta√ß√£o do mercado de trabalho. Talvez incorporem a redu√ß√£o das indemniza√ß√Ķes nos despedimentos, sugerida pela OCDE, e a redu√ß√£o do sal√°rio m√≠nimo e outras medidas destinadas a fazer baixar o custo do trabalho.

Entretanto, o governo do PS já terá caído e um governo do PSD terá sido eleito com maioria relativa.

RC: A esquerda é uma alternativa?

Jorge Bateira: Por muito que se esforcem com propostas de altera√ß√£o do or√ßamento na especialidade, os partidos da esquerda (PCP e BE) n√£o s√£o vistos pela esmagadora maioria dos cidad√£os como tendo credibilidade para constitu√≠rem alternativa de governo. Por isso, na aus√™ncia de uma reconfigura√ß√£o da esquerda, o PSD ser√° o partido mais votado nas elei√ß√Ķes legislativas que ser√£o convocadas ap√≥s o derrube do governo na Assembleia da Rep√ļblica e na sequ√™ncia da ‚Äėentrada‚Äô do FMI em Portugal.

RC: Há alguma saída para esta espiral deflacionista?

Jorge Bateira: A √ļnica sa√≠da para a crise em que estamos mergulhados exige a forma√ß√£o de uma alternativa pol√≠tica cred√≠vel, formada por uma plataforma de partidos e movimentos de quadrantes diversos, unidos em torno de uma proposta pol√≠tica comum: relan√ßar o crescimento da economia atrav√©s de pol√≠ticas de investimento p√ļblico criadoras de emprego e uma pol√≠tica espec√≠fica de apoio ao crescimento das exporta√ß√Ķes para fora da Uni√£o Europeia. Para tal, dever√° defender abertamente a reestrutura√ß√£o da d√≠vida p√ļblica (no m√≠nimo, a renegocia√ß√£o dos prazos de pagamento) e a abertura de negocia√ß√Ķes com a tutela financeira do Pa√≠s (UE/FMI) para esse efeito.

Por essa altura, a crise da dívida soberana terá suscitado graves clivagens no seio da UE, o que permitirá ao País explorar este caminho de renegociação da dívida.

Esta Plataforma da esquerda deveria ser criada logo a seguir √†s elei√ß√Ķes presidenciais para, de imediato, preparar as elei√ß√Ķes legislativas elaborando um programa eleitoral e listas de deputados em todos os c√≠rculos eleitorais.

Em meu entender, √© este caminho de unidade na ac√ß√£o que as esquerdas devem percorrer nos pr√≥ximos meses. Porque o objectivo √ļltimo √© servir o Pa√≠s, esta Plataforma deve ter um discurso de abertura e acolhimento para com os militantes e dirigentes do PS que se revelem cr√≠ticos das pol√≠ticas de austeridade. N√£o √© de excluir que o resultado das elei√ß√Ķes legislativas (neste novo cen√°rio) viesse a abrir a porta para uma coliga√ß√£o PS (virado √† esquerda) + Plataforma de esquerda. Se assim for, estar√° aberto um novo horizonte na vida pol√≠tica portuguesa.

Menos do que isto ser√° a recess√£o sem fim.


 
A uni√£o de toda a esquerda nacional.
Enviado por João M.C.Cunha, em 25-09-2012 às 14:30:23
Antes do meu coment√°rio, quero deixar a nota, de que s√≥ recebi a newsletter hojer, 25/09/12, Logo s√≥ nesta data vos conheci. Vale mais tarde que, nunca. Relativamente ao posicionamento da RC estou inteiramente de acordo, quanto ao renascimento de um movimento que integre a onda europeia que tem a obrigaq√ß√£o hist√≥rica de romper com o sistema que hoje a esmaga. N√£o encaro acordos com qualquer partido √† direita do PCP ou BE. Portugal, e a Europa n√£o t√™m, sob o ponto de vista dos seus povos, que suportar as d√≠vidas de bili√Ķes, em que as respectivas bancas se meteram. N√£o somos por maioria de raz√£o, obrigados a pagar.

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