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25 DE OUTUBRO DE 2008, SÁBADO
Para superar a alternativa mercado ou capital
Paul Boccara
"A esquerda deve ir para além dessa alternativa tradicional entre mercado e Estado" e fazer propostas "operativas, audazes e populares" face à "crise sistémica" de um sistema capitalista que "enlouqueceu” – propõe o economista e historiador marxista Paul Boccara. Ex-membro do Conselho Nacional do Partido Comunista Francês, Boccara vê a crise com os olhos de quem procura as alavancas sociais e políticas que possam superá-la nas suas bases estruturais. Publicou este texto no dossier sobre a Crise Financeira do diário L'Humanité.
O desafio que se coloca hoje à esquerda é fazer propostas baseadas em análises profundas e suficientemente precisas para que sejam operativas, audazes e populares, visando contribuir para a mais ampla unidade de acção. É certo que existe uma crise do liberalismo e da finança desregrada, mas existe sobretudo uma nova maturação da crise sistémica. O sistema enlouqueceu.

Clima favorável a transformações profundas

Se o sistema enlouqueceu, não é porque haveria zonas onde o capitalismo se tornou sadio e normal, como dá a entender Nicolas Sarkozy, mas porque a sua lógica de rentabilidade financeira foi levada ao paroxismo.

É inútil falar de moralização e de transparência sem que se avance para novas regras. É impossível retornar a um capitalismo de nossos avós ou de Keynes, porque as profundíssimas transformações que exacerbaram o capitalismo são irreversíveis. Trata-se da revolução no campo da informação com a escalada das multinacionais, é a revolução monetária com o descolamento da moeda em relação ao ouro, e a hegemonia do dólar, etc.

A escalada das intervenções dos Estados e da regulação dos mercados manifesta um clima novo, favorável a transformações profundas para controlar os mercados e começar a emancipar-se das regras do capitalismo enlouquecido. É uma alteração histórica! Mas uma maior intervenção dos Estados e da regulação não serão suficientes caso se permaneça agarrado às regras do sistema.

Crise reclama medidas imediatamente estruturais

A esquerda deve ir além dessa alternativa tradicional entre mercado e Estado. Do lado do Estado, é preciso uma verdadeira democracia participativa dando efectivos poderes de intervenção e controle aos trabalhadores e aos cidadãos junto às empresas e aos serviços públicos. Do lado dos mercados, é necessário impor-se a eles com avanços radicais na partilha e serviços públicos inovadores.

Face à escalada do desemprego, por todo o mundo, trata-se do aumento dos salários, de uma outra organização do trabalho, e, de forma colaborante, de segurança no emprego e de formação.

Não acredito que o plano Sarkozy caminhe na direcção certa, nem que o problema seja fazer mais e mais cedo. A crise reclama medidas imediatamente estruturais. Entre elas: um crédito selectivo; novos critérios de gestão de empresas; novas instituições bancárias e monetárias ao nível local e mundial (fundos regionais, pólo público, moeda comum mundial).Ver l'Humanité de 13 de Outubro.

Ver também – em francês – a entrevista com Boccara publicada por L'Humanité, de 13 de Outubro, sob o título Il faut s’en prendre aux règles fondamentales du capitalisme.

Origem do artigo: l'Humanité; títulos e tradução do Vermelho, adaptação ao português de Portugal: JNF

Nota: é impossível, por razões informáticas que desconhecemos, linkar a entrevista em francês de Paul Boccara. Procurar no l'Humanité


 

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