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FRITZ REISS-AP (imagem)
17 DE JUNHO DE 2007, DOMINGO
FONTE: Diário de Notícias
POR: CARLA GUERRA, Berlim
Cenário político alemão anima-se à esquerda do SPD
"É preciso haver liberdade e socialismo e é por isso que surgimos", justificou ontem Gysi. O novo partido promete ser a terceira grande força política, diz-se apologista do "Estado de bem-estar" e justiça social com mais igualdade e contempla os maiores temores da população como o desemprego ou desigualdades
Cenário político alemão anima-se à esquerda do SPD



CARLA GUERRA, Berlim
FRITZ REISS-AP (imagem)

A cena política alemã está mais rica. Os comunistas alemães do ex-PDS e a Alternativa Eleitoral Trabalho e Justiça Social, WASG, constituído na maioria por políticos da ala esquerdista dos sociais-democratas (SPD), formaram este fim de semana um novo partido político Die Linke (A Esquerda). O lendário e carismático Gregor Gysi e o intelectual Oskar Lafontaine são os grandes protagonistas do novo partido.

Ontem, em Berlim, dos 800 delegados presentes, houve apenas duas abstenções e um voto contra para a fusão das forças políticas que terá dois líderes, Lothar Bisky e Oskar Lafontaine; Gysi será o porta-voz.

"É preciso haver liberdade e socialismo e é por isso que surgimos", justificou ontem Gysi. O novo partido promete ser a terceira grande força política, diz-se apologista do "Estado de bem-estar" e justiça social com mais igualdade e contempla os maiores temores da população como o desemprego ou desigualdades, e mesmo tempo continua a defender um Estado social forte no sentido tradicional.

Se Die Linke se conseguir impor a nível nacional, o SPD passará a ter um concorrente de esquerda voltado essencialmente para temas da política social e económica. A nova formação política já está também a preocupar os partidos mais pequenos como os ambientalistas "Os Verdes" e os Liberais do FDP, que disputam tradicionalmente o terceiro lugar em eleições, e terão agora na Die Linke mais um sério rival. Comentadores afirmam que o tipo de oposição que se espera da Die Linke poderá obrigar os partidos dos Governo a concentrarem-se mais nas preocupações do cidadão comum.

A união política entre PDS e WASG teve início em 2005 quando concorreram juntos às ultimas legislativas, tornando-se na quarta força política do país com 8,7 por cento dos votos. Die Linke tem cerca de 72 mil filiados e estima-se que representa perto de 10 por cento das intenções de voto dos eleitores alemães.

As próximas eleições podem significar o adeus à social-democracia na Alemanha. Por outro lado cresce o interesse dos media e dos eleitores pelo novo partido situado mais "à esquerda" da social-democracia. O que poderá trazer e mudar esta nova Esquerda? As legislativas de 2009 serão decerto o primeiro grande teste político. |


 
Será desta?
Enviado por Paulo Mouta, em 30-06-2007 às 03:11:24
Parece-me que a esquerda tem sido vítima de teorizações diversas, cada uma com pretensões de ser a mais verdadeira. Enquanto soluções como esta na Alemanha não se espalharem por toda a Europa a esquerda continuará a ser um conjunto de movimentos com uma história imensa que lhe pesa para o bem e para o mal, e por isso mesmo não passará da marginalidade eleitoral. Este é um verdadeiro exemplo para todos os movimentos de esquerda europeus. É também a constatação óbvia de que os comunistas não são a Esquerda, mas que esta não existe sem os comunistas. A ideia de socialismo não pode estar divorciada da ideia de diversidade. E na diversidade têm lugar inclusivamente aqueles que a pretendem asfixiar. A esquerda só poderá constituir-se como alternativa social e política num mundo já demasiado enterrado no liberalismo e na ditadura das corporações com uma união efectiva de vontades. Uma certa humildade intelectual. Um reconhecimento de que o socialismo não pode estar dissociado da democracia efectiva e da liberdade de expressão e opinião. Mas uma esquerda forte o suficiente para escapar às armadilhas da comunicação e informação manipuladas pelos interesses do grande capital. Será que poderemos assistir a algo do género em Portugal?
Por uma nova esquerda
Enviado por João Pedro Bernardo, em 28-06-2007 às 13:14:51
Aí está uma experiência que será interessante de acompanhar, pois trata-se do surgimento de uma nova esquerda, que se demarca tanto das tentações totalitárias, ortodoxas e ultrapassadas da antiga esquerda comunista como das tendências neo-liberais cada vez mais presentes na actual social-democracia. Há que criar projectos de esquerda viáveis face ao contexto actual, mas que se demarquem das soluções já experimentadas.

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