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10 DE JANEIRO DE 2024, QUARTA-FEIRA
Em Março ganhar Abril!
Foi ontem dia 9 de janeiro a sess√£o de lan√ßamento do livro dos 20 anos da Renova√ß√£o Comunista. De seguida, publica-se a interven√ß√£o de Paulo Fidalgo nessa sess√£o que contou com as interven√ß√Ķes de Jos√© Manuel Mendes, Carlos Brito e a preciosa presen√ßa e participa√ß√£o de Vasco Louren√ßo.
Em Março ganhar Abril

Apesar das dificuldades e de uma travessia difícil da Renovação Comunista, podemos começar por realçar algo de positivo:

A RC nasce para desenhar e lutar por uma saída de esquerda no quadro constitucional que os comunistas e a revolução de Abril estabeleceram!

Depois da derrota da ala revolucionária, em Novembro de 75, depois do nosso thermidor português, cujo evento original, histórico, podem ver agora no thermidor francês, do filme Napoleão, de RIDLEY Scott, brilhantemente descrito e analisado por muitos, em especial por Trostky.

Depois desses funestos acontecimentos, deveriam os comunistas ter elaborado sobre como avançar no novo quadro institucional, condicionado pela necessidade de conquistar poder no Estado por via eleitoral.

Tanto mais que os comunistas foram fulcrais no desenho e na instituição da arquitectura da democracia e do poder por via da Constituição.

N√£o fizeram essa reflex√£o e passaram a agir com preocupa√ß√Ķes apenas t√°ticas, de ganhar for√ßa social e eleitoral, sem revelarem o que queriam fazer com essa for√ßa, se ganhar elei√ß√Ķes, se apenas preparar uma nova revolu√ß√£o.

Como de pouco serve ‚Äúentesourar‚ÄĚ for√ßa, naquele significado que Marx explicou, de diferen√ßa entre entesouramento e a no√ß√£o de Capital.

Entesourar é retirar o dinheiro de circulação e guardá-lo num qualquer cofre onde se mantém imóvel e tende até a desvalorizar com o tempo.

Pelo contr√°rio, ganhar votos se tiver uma repercuss√£o em ganhos sociais e econ√≥micos, pode representar investimento e crescimento real de influ√™ncia. O PCP, mais ou menos por evolu√ß√£o espont√Ęnea, tem-se mantido sem interroga√ß√Ķes na mera quimera do entesouramento de influ√™ncia.

Tem pedido os votos e a confiança dos trabalhadores, mas disso não se tem visto um ganho perceptível.
E √© claro, um entesouramento que n√£o frutifica, leva √† descren√ßa com o tempo, sobretudo porque a batalha pelas solu√ß√Ķes de governo lhe passam ao lado e o povo entende, e bem, que n√£o se pode deixar as quest√Ķes de governo sem disputa.

Isso só não aconteceu no momento em que entrou nos acordos de geringonça onde, imediatamente, compreenderam os trabalhadores como pode o PCP ser muito importante para as suas vidas.

A Renova√ß√£o nasceu portanto para impulsionar uma transforma√ß√£o no movimento comunista que apontasse e que aponta a uma sa√≠da de maioria de converg√™ncia de centro-esquerda e esquerda no governo de Portugal, capaz de reunir um vasto consenso na sociedade e ao mesmo tempo impulsionar o aprofundamento da democracia, e da coes√£o social, e gerar condi√ß√Ķes para alcan√ßar o objectivo constitucional do socialismo.

Como definimos nas nossas posi√ß√Ķes, esse √© o problema pol√≠tico portugu√™s, e essa √© a via para o resolver!
√Č claro que o dispositivo t√°tico, o tipo de organiza√ß√£o dos comunistas e, sobretudo, o tipo de programa, implicam uma s√©ria remodela√ß√£o dos objectivos e obriga √† defini√ß√£o de etapas interm√©dias capazes de gerar amplos consensos e pressionar em base larga a ado√ß√£o de reformas.

Esse ponto de vista tem talvez a sua primeira manifesta√ß√£o vis√≠vel no ‚Äúnovo impulso‚ÄĚ aprovado no CC do PCP mas que foi objecto de dura e antidemocr√°tica refrega com o boicote de um sector hipersect√°rio e imobilista que tentou fazer crer que uma grande reavalia√ß√£o t√°ctica e estrat√©gica iria levar o PCP √† sua descaracteriza√ß√£o.

Esgrimiram e conseguiram por meios antiestatutários impedir a necessária remodelação.

Um segundo momento, de grande significado t√°tico, foi a converg√™ncia impulsionada pela Renova√ß√£o Comunista para a elei√ß√£o de Ant√≥nio Costa para derrotar a direita na C√Ęmara Municipal de Lisboa.

A valorização desse objectivo, foi totalmente incompreendida pela esquerda da época, com frontal oposição do BE e do PCP.

Contudo, o povo de esquerda da cidade entendeu perfeitamente o que estava em causa e deslocou o seu voto na C√Ęmara para permitir a vit√≥ria de Ant√≥nio Costa contra a direita e manteve a sua lealdade pol√≠tica nas freguesias, no que foi uma demonstra√ß√£o de grande maturidade pol√≠tica. Com essa elei√ß√£o abriu-se o caminho que redundaria mais √† frente na derrota da direita no Pa√≠s.

Um terceiro momento foi a, para muitos, surpreendente e inesperada solu√ß√£o pol√≠tica de ‚Äúgeringon√ßa‚ÄĚ encontrada em 2015.

Importa dizer que geringonça, é uma expressão de intenção pejorativa inventada pela direita mas que acabou por vingar na cultura popular como qualificativo de simpatia e compreensão do esforço que estava a ser feito.

A solu√ß√£o de 2015 foi surpreendente, mas teve na sua origem a campanha realizada por muitos comunistas e pela Renova√ß√£o para que acontecesse uma sa√≠da de converg√™ncia. √Č bom lembrar, a Renova√ß√£o at√© entrou nas elei√ß√Ķes em coliga√ß√£o com o Livre precisamente para introduzir na agenda o tema da necessidade de sa√≠da de converg√™ncia.

Como afirmou Pedro Nuno Santos, gerinçonça é uma expressão historicamente errada, pois ela significa uma engrenagem ou maquineta que funciona mal, de forma ineficiente.

Ora, esse acordo entre a esquerda e o PS funcionou bem e por uma legislatura.

Existe uma escultura no museu de arte moderna de Barcelona que representa uma geringonça, um complexo conjunto de engrenagens que não se percebe como poderá alguma vez funcionar. No entanto, ao olhar para a intrincada combinação de rodas dentadas e correias, da escultura, ninguém da mesma forma poderá dizer que não funcionará e, no nosso caso, no caso do acordo político em 2015, ela funcionou e funcionou bem!

Pelos vistos a esquerda esteve à altura das exigências e parece que o PNS também, como responsável dos assuntos parlamentares.

√Č verdade que a geringon√ßa foi interrompida por uma querela or√ßamental de que n√£o conhecemos bem os motivos nem as perip√©cias. Podemos falar disso no debate a seguir.

Para a história, o que releva não foi a querela orçamental, mas o facto da convergência entre o centro-esquerda e a esquerda ter funcionado. E de isso nos autorizar a dizer que o futuro do país depende, em grande medida, da retoma da convergência da esquerda com o centro-esquerda.

A história popular mostra como os acontecimentos relevantes têm muitas vezes um período de ensaio que ensina e faz ajustar as coisas para, mais adiante, se alcançar a vitória.

A primeira geringon√ßa deve ser olhada n√£o como fracasso, mas como 1¬ļ ensaio do que vai necessariamente acontecer mais √† frente.

Um quarto momento que faz com a que a história nos dê razão, à Renovação Comunista, é o que se está a passar agora.

Nas presentes elei√ß√Ķes assiste-se a um dispositivo t√°ctico, e tamb√©m no discurso, que torna a quest√£o da converg√™ncia como sendo a quest√£o central do futuro pr√≥ximo de Portugal.

A esquerda e o centro-esquerda assumem como grande prioridade a derrota da direita e, em especial, da extrema-direita. Nisso, surgem em convergência que não pode ser desmentida.

Nas elei√ß√Ķes internas do PS, ficou clarificada a atitude face √† direita por via da vit√≥ria da candidatura de PNS, que aqui saudamos e lhe damos os parab√©ns.

Mas talvez ainda mais importante, é que ninguém à esquerda se colocou explicitamente contra a ideia de um compromisso pós-eleitoral de governo. O PS, pelo seu sec-geral, vem acolhendo essa possibilidade se para tal os resultados o permitirem.

O BE colocou, como é natural, exigências que poderemos discutir nas que não excluem essa possibilidade.

E o PCP também não excluiu essa possibilidade
Pela primeira vez, estamos a disputar elei√ß√Ķes em que as partes da esquerda e do centro-esquerda, umas vezes com acrim√≥nia, outras vezes com exig√™ncias e condi√ß√Ķes, est√£o a movimentar-se em torno da hip√≥tese de converg√™ncia, como quest√£o encarada, desde j√°, em fase pre-eleitoral.

Esta evolução da política nacional, confirma o acerto do pensamento que vem sendo sedimentado na Renovação, desde a sua criação.

Foi para isso que os nossos camaradas quiseram formular o novo impulso em 1998, foi para isso que a Renovação quis favorecer na eleição de Lisboa, de António Costa, e foi para isso que teve um primeiro ensaio em 2015.
Queridos amigos e camaradas, demorou 20 e tal anos a que se gerasse no nosso país uma situação que afinal devíamos ter acolhido há imensop tempo na nossa estratégia.

Mais vale tarde do que nunca, é caso para se dizer.
Um novo acordo de convergência não será coisa fácil.
O Discurso de PNS, no encerramento do congresso do PS, é uma peça que dá esperança aos trabalhadores para que um acordo possa ser alcançado.

A Associa√ß√£o Renova√ß√£o Comunista, n√£o √© partido, mas n√£o est√° inibida de fazer considera√ß√Ķes pol√≠ticas como √© √≥bvio.

Nós achamos errada a análise de que a eleição de PNS e que o seu discurso no encerramento do congresso não constitua uma evolução em si mesma do que tem sido o PS, e recusamos a ideia de que o PNS não fez mais do que um discurso de continuidade.

Para n√≥s, isso n√£o √© verdade. Esse tipo de considera√ß√Ķes foi reproduzido em v√°rias declara√ß√Ķes do PC e do BE. A verdade √© que todos os trabalhadores compreenderam instintivamente que o discurso de PNS introduz uma altera√ß√£o a ter em conta.

√Č claro que √† direita, tudo se fez para descredibilizar o que foi afirmado com as teses de que PNS n√£o √© deste pa√≠s e que tudo foi engano. As reac√ß√Ķes da direita mostram como est√° assustada com a for√ßa de atrac√ß√£o e a possibilidade real de evolu√ß√£o que a proposta do PS cont√©m.

A nosso ver, PNS tem uma vis√£o progressista mas, no entanto, pode ele pr√≥prio ter algumas ilus√Ķes.

Primeiro, não é verdade que só o PS possa fazer melhor que o PS. Nós dizemos que o PS sozinho governou pior do que quando o fez em acordo com a esquerda.

Por isso dizemos aqui: melhor do que o PS só pode ser feito por um acordo de convergência entre o PS e a esquerda!

Em segundo lugar, diremos que um novo acordo deve ter metas calendarizadas e ser objecto de um efectivo acordo político entre as partes.

Em terceiro lugar, tão importante como o acordo político, é a solução de governo dotar-se de pessoal político realmente empenhado em levar por diante o acordo. Isso vai, obviamente, depender dos resultados eleitorais e da força de cada um. Para a Renovação, é muito importante que possa haver a entrada de comunistas e de gente da esquerda no governo.
Em quarto lugar, se um acordo com incidência num papel reforçado e remodelado do Estado na dinamização da economia, no aprofundamento dos grandes serviços sociais e na melhoria da situação material dos trabalhadores e das classes médias, se um tal acordo for viável, diremos que o função dos comunistas nesse acordo é a de impulsionarem a luta popular e a intervenção democrática de base na reclamação da aplicação célere dos pontos do acordo.

O papel dos comunistas nesse acordo, em concord√Ęncia como tudo o que os pais fundadores do socialismo nos ensinaram, √© o de compreender que o progresso ambicionado pressup√Ķe a autodetermina√ß√£o dos trabalhadores no seu modo de vida, no controle social dos excedentes e na apropria√ß√£o social desses mesmos excedentes.

O papel dos comunistas é o de batalhar pela mudança de modo de produção, de modo de vida, a favor do socialismo.

Mas se é essa a nossa visão,
no imediato o que queremos mesmo,
é conseguir que em Março se ganhe a grande vitória de Abril para celebrar meio século de revolução e democracia.


 

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