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22 DE SETEMBRO DE 2012, SÁBADO
Cipriano Justo
Isto não fica assim
No curto prazo de uma semana este Governo ficou rodeado de inimigos por todos os lados menos por um, a porta de saída, o único caminho amigo que ainda lhe sobra para sair pelo seu próprio pé. O caos não é o Governo demitir-se, ou ser demitido, o caos está instalado na vida dos portugueses e as reacções às medidas anunciadas a 7 e 11 de Setembro só vieram revelar a intensidade da ira que se foi acumulando desde que teve início a aplicação das medidas de austeridade. No 15 de Setembro, em todas as praças do país, o que vinha dividindo o Governo dos portugueses sofreu tal fractura que ficou exposto em toda a sua crueza o osso do problema: é preciso que tudo mude para que a democracia continue a ser o melhor dos sistemas.
Viu-se, para quem ainda tinha dado o benefício da dúvida, que vindo de onde vêm, os programas de ajustamento só se dirigem a quem passa a vida a ajustar-se às precárias condições de vida. E agora também àqueles que sempre imaginaram que o assunto não lhes dizia respeito ou nunca lhes bateria à porta. Mas a partir da altura em que os de baixo e os do meio se unem pelo mesmo sentimento — quando as condições subjectivas fazem a sua entrada em cena e se sobrepõem à hierarquia dos egoísmos — bem podem os de cima ameaçar com as mais atrozes penas do inferno, que nada destrói essa cumplicidade, até que uma nova síntese venha instaurar uma nova relação de forças.

Embora viessem a acumular-se sinais que indicavam estarem a ser ultrapassados os limites da tolerância para com a acção de alguns ministros, alguns deles objecto de escárnio e do anedotário nacional, os anúncios de 7 de Setembro canalizaram para o Governo as fúrias que até então iam sendo alimentadas e mantidas em ambiente controlado. Basicamente, nesse fim de tarde, o que disseram aos portugueses é que nem imaginavam o que os esperava a partir de 1 de Janeiro de 2013, que os esperava a descida aos infernos. Aquilo por que tinham passado desde que este Governo iniciou funções era, afinal, só o início de uma caminhada sem fim à vista.

Esta situação inesperada para as direcções dos partidos do centro-esquerda e das esquerdas criou um novo contexto no qual vão decorrer os congressos do PCP e do BE. As suas agendas sofreram uma súbita alteração nas prioridades: o que fazer dessas medidas, que resposta aos milhares de manifestantes, que alternativas para estas políticas? E no centro das respostas, a governabilidade do país obrigará a resolver a equação a que até agora todos se têm eximido: que política de alianças é possível e desejável construir para dar outro rumo ao país? Vários dirigentes daqueles partidos estiveram entre os milhares de manifestantes que saíram à rua para se opor ao Governo, mas nesta altura esse gesto ou tem consequências políticas ou não passa de um esotérico exercício de acrobacia partidária. É que nesta marcha, diferentemente do que simbolicamente se assinala no 25 de Abril e no 1.º de Maio, o que ficou sinalizado foi qualitativamente outra coisa, a radical oposição à austeridade dos que vivem exclusivamente dos rendimentos do seu trabalho, dos precários, dos desempregados e dos pensionistas. Porém, o saldo das declarações daqueles que se pronunciaram no calor do desfile era de que o Governo perdera a legitimidade popular mas que a oposição receava entrar em cena. E essa, sim, é a verdadeira face da crise política.

O interesse do país ou coincide com o interesse dos portugueses ou não passa de uma figura de retórica para encobrir a defesa dos interesses particulares. O segundo programa de austeridade em que se transformou o elenco das medidas preconizadas pelo Governo, carecendo de legitimidade popular, exige o escrutínio dos eleitores se não for radicalmente alterado. Caso contrário, aos que desceram à rua a 15 de Setembro não lhes restará outra alternativa senão o caminho da rua, outra vez, desta vez em duplicado.


Publicado no Público em 2012-09-18


 
O POVO é quem mais ORDENA!
Enviado por Miguel, em 04-10-2012 às 09:58:54
A luta sempre foi, é e será feita na rua! É lá que se conquista o poder, eles também o sabem quando lá se dirigem em campanhas eleitorais, com a bagagem carregada de mentiras e patranhas, dadas ao som e ao tom do ouvido dos eleitores. Pena é, ou receio tenho pelo menos que sejá o velho ditado que venha aí "vira o disco e toca o mesmo", porque a oposição mais direta ao governo (se assim se deva ou possa chamar, PS), vê que ainda não é para si a altura de lhes puxar o tapete, e porquê? Não porque ainda não tem ou aliás tem a certeza que até poderiam ser eleitos mas não teriam maioria nem conseguiriam formar "panela" com nenhuma bancada realmente mais à ESQUERDA. Por isso que defendo, à que dár o Braço a torcer, e desiquilibrar a correlação de forças convergendo, não se isolando e alimentando ainda que involuntáriamente a teoria "vão se dividindo que nós vamos reinando" (maleabilizando alguns principios). Portanto sou da opinião que ou é agora e PCP, BE, PEV e concerteza mais alguns (Bons e Verdadeiros PS) se organizam ou então o copinho de leite cito Srº José (in)Seguro é que sai a ganhar e continua a (des)gorvenar. Se conseguirmos engolir alguns sapos, despirmo nos de alguns preconceitos e que a única preocupação seja a de encontrar ou mesmo de CONSTRUIR uma Politica para a SOCIEDADE, não para a ecónomia ou para os mercados ou para a piiiiiiiii que os par........! ATENÇÃO não defendi alterações ao sistema ou sequer descredilibilização do mesmo.

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