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10 DE DEZEMBRO DE 2008, QUARTA-FEIRA
A angústia das esquerdas no momento do penálti
"Numa altura em que o FMI, o BCE, o EuroGrupo e a Presidência da União Europeia fazem horas extraordinárias e começam a concertar posições de maneira a mostrar ao mundo que é no seio do capitalismo que vão ser encontradas as respostas para a doença que por estas semanas está a assolar já não só os mercados financeiros mas também todo o tecido produtivo, as esquerdas, a europeia e a portuguesa, continuam a dar mostras de dificuldade em encontrar o caminho das pedras." Leia aqui este novo artigo de Cipriano Justo com o título bem sugestivo A angústia das esquerdas no momento do penálti
Numa altura em que o FMI, o BCE, o EuroGrupo e a Presidência da União Europeia fazem horas extraordinárias e começam a concertar posições de maneira a mostrar ao mundo que é no seio do capitalismo que vão ser encontradas as respostas para a doença que por estas semanas está a assolar já não só os mercados financeiros mas também todo o tecido produtivo, as esquerdas, a europeia e a portuguesa, continuam a dar mostras de dificuldade em encontrar o caminho das pedras. A instabilidade sistémica do capitalismo converteu-se numa desorientação generalizada dos seus redutos mais agressivos obrigando à paragem do jogo e à marcação de uma grande penalidade. Em contrapartida as esquerdas dão mostras de insegurança e parecem tremer só com a ideia de concretizar o castigo e poder vir a ficar em vantagem no marcador.

Seriam insensatas e falhas de credibilidade se as recentes declarações do secretário-geral do PCP fossem muito mais além do que foram, já considerando todas as rectificações e desmentidos. O que há a reter e a fixar é que da sua parte foram dados sinais sobre a necessidade de convergência das “forças progressistas”. Por ora é o que interessa. Argumenta-se que aquelas declarações contradizem o espírito e a letra das Teses do XVIII Congresso. Admita-se, mas relativize-se também o seu alcance. Todas as teses são elaboradas para poderem ser refutadas. Uma tese será tanto melhor quanto melhor puder ser refutada. E as Teses, sobretudo as congressionais, também não fogem às suas antíteses. Deixe-se então que os dirigentes do PCP invistam contra o “frentismo de esquerda” e valorize-se o sentimento unitário de todos quantos, nestes dias, levaram o secretário-geral do PCP a manifestar aquelas intenções.

Desmerecer ou banalizar as suas declarações não constitui a melhor contribuição para as esquerdas construírem uma alternativa, no preciso momento em que o caminho se bifurca e ou se continua de mão dada com a tal mão invisível num alegre giroflé e num eterno faz de conta ou se envereda decididamente pela lógica do desenvolvimento não capitalista. A não ser que o exílio do hemiciclo de S. Bento seja o mais longe que se aspira alcançar. Não é um súbito acesso de masoquismo dos mercados nem o “gesto largo, liberal e moscovita” do Álvaro de Campos que estão a acelerar a história. É o que as esquerdas andam a combater há cento e cinquenta anos que está a ficar anémico, desvitalizado e moribundo; é a velocidade dos acontecimentos que está questionar e a perguntar às esquerdas quais são as suas respostas para a situação que se está a viver.

Todos os processos têm um start point. Este já mostrou a sua necessidade com várias manifestações, as mais importantes dos quais têm sido protagonizados pelo movimento sindical. Nele tem sido possível confluir todos os protestos, todas as oposições, todo o descontentamento, todas as reivindicações. Mas essa é só uma parte da equação. O que os acontecimentos têm vindo a reclamar, e nunca será demais repeti-lo, é uma solução política sem a qual a intervenção sindical irá encontrar pela frente maiores resistências e dificuldades, agora com redobrados apelos à hibernação e ao colaboracionismo. Essa não é a tradição nem a cultura da CGTP, e este seria o momento menos indicado para a deixar desprotegida no campo da batalha.