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19 DE JANEIRO DE 2008, SÁBADO
FONTE: O Vermelho
POR: Priscila Lobregatte
O capitalismo pode ser superado, enfatiza Renato Rabelo
Hoje, o partido procura trabalhar com três vertentes basilares: a participação institucional, a luta de idéias e a participação nos movimentos sociais para a construção desse caminho. “Se conseguirmos articular estas três frentes, juntas, estaremos indo em direção à acumulação de forças necessária para a construção do socialismo”.
Nesta sexta-feira, 18, a poucos dias de terminar o 2º Curso de Quadros do PCdoB, que acontece em Atibaia, São Paulo, o presidente do partido, Renato Rabelo, falou sobre a busca de caminhos para se alcançar o socialismo numa conjuntura internacional diferenciada. E, no âmbito nacional, ressaltou que “a luta pelo socialismo passa hoje, no Brasil, pela vitória das reformas democráticas”.

Ao todo, cerca de 160 pessoas prestigiaram a palestra. São alunos vindos de praticamente todos os estados com o objetivo de, ao longo de dez dias, terem aulas de formação marxista. Segundo levantamento da organização do curso, 57% dos militantes são homens e 43%, mulheres.

Socialismo científico soviético
Renato Rabelo procurou enfatizar, em sua apresentação, a necessidade de militantes e dirigentes do PCdoB atentarem para o fato de que hoje a luta pela construção da via socialista passa por caminhos diferentes daqueles que seguiram outros países, como a extinta União Soviética, Cuba ou China. Para ele, uma das principais lições deixadas pela queda do regime soviético na passagem dos anos 80 para 90 é que “não há um caminho universal, um único modelo de transição ao capitalismo”.

Além disso, salientou, a transição do capitalismo ao socialismo “é um período histórico determinado objetivamente, com suas leis e etapas que se caracterizam pela luta entre a velha e a nova sociedade”.

Na busca pela revolução, comunistas de todo o mundo apostaram cegamente no socialismo científico adotado na URSS, que acabou virando um paradigma. “A idéia de socialismo científico estava muito impregnada do modelo soviético. É preciso dar uma nova plástica. E neste processo, não podemos ser dogmáticos, preconceituosos nem voluntaristas”, alertou.

Via institucional
Para aqueles que acreditam que a revolução pode se dar apenas como aconteceu em Outubro de 1917, Rabelo foi enfático. Na América Latina, por exemplo, a busca pelo projeto socialista tem seguido outra via, caracterizada especialmente pela ascensão de forças populares ao poder central por meio de eleições e da conquista de postos institucionais, o que não significa negar a revolução, mas construir campo para que se alcancem condições para a implantação do socialismo. “Ressurgem, agora, novas e promissoras forças, produto da realidade objetiva e não da simples vontade de superação do capitalismo”, disse.

A causa dessa reação está, segundo sua análise, “nas contradições irreconciliáveis, nos grandes paradoxos do capitalismo e no aprofundamento das desigualdades sociais” que, no caso da América Latina, estão diretamente ligados à subserviência das elites locais aos desejos do império estadunidense. “A nova luta pelo socialismo surge com o fim de um ciclo revolucionário num quadro de defensiva das forças comunistas. Para essa nova fase, é preciso que consigamos compreender como funciona o capitalismo contemporâneo”, explicou.

Potências emergentes
No quadro geopolítico, o capitalismo se caracterizou, nos últimos anos, pela hegemonia dos Estados Unidos – alçados a única superpotência desde a queda da União Soviética – e, no âmbito econômico, pela implementação da agenda neoliberal e pela forte financeirização do sistema. “Mas, decorrido pouco tempo do fim da União Soviética, temos um mundo em transição com declínio relativo dessa hegemonia”, constatou.

O contraponto ao império vem da emergência de potências de porte médio da periferia do sistema, como China, Rússia e Índia, por exemplo. O resultado é que aquela realidade unipolar vem se transformando. “Com isso, surgem novas tensões e disputas porque o imperialismo não abre mão de seu poder hegemônico”, disse. Ao mesmo tempo, lembrou, assistimos à institucionalização do rentismo. A financeirização passa a ser um sistema de poder e de controle. “É o que conhecemos como capitalismo parasitário. Estamos diante da festa do rentismo. E grande parte das crises do capitalismo atual decorre disso”.

Atualização e renovação

Desde a queda da União Soviética, o PCdoB, a partir das reflexões de João Amazonas e das conclusões do 8º Congresso, em 1991, procurou fazer a autocrítica da atuação comunista e ajustar a luta socialista às necessidades do país. Deixando para trás aquela visão rígida e fortemente baseada no modelo soviético, o PCdoB começou a focar seu trabalho observando a realidade brasileira. A 8ª Conferência (1995) do partido já veio com esse novo tom e coloca a transição ao socialismo como um processo gradativo que começa a partir da construção de uma república onde o povo e os trabalhadores estejam no centro da ação do Estado.

Com esse objetivo, Rabelo defende “o desenvolvimento, a atualização e a renovação da teoria revolucionária”. E vem daí a luta que o PCdoB encampou pelas seis reformas que têm por objetivo colocar o Brasil na rota do desenvolvimento com distribuição de renda e queda das desigualdades. “A luta pelo socialismo no Brasil passa hoje pela vitória das reformas democráticas, que têm caráter estrutural”, disse sobre a proposta dos comunistas para as reformas tributária, política, educacional, agrária, urbana e da midiática.

Hoje, o partido procura trabalhar com três vertentes basilares: a participação institucional, a luta de idéias e a participação nos movimentos sociais para a construção desse caminho. “Se conseguirmos articular estas três frentes, juntas, estaremos indo em direção à acumulação de forças necessária para a construção do socialismo”.

Para o próximo congresso do PCdoB, que acontece em 2009, Rabelo antecipa que o Programa Socialista atual, em seus seis capítulos, será atualizado. “Precisamos de elementos para uma visão geral daquilo que buscamos. A essência do programa é estratégica”, disse. Para ele, é fundamental que se construa um Estado realmente democrático e popular, para que se consiga atingir o estágio de transição para o socialismo. “O capitalismo, historicamente, pode ser superado”, declarou.

Após a aula de Rabelo, os grupos se reuniram para levantar questões levadas em plenário ao presidente do partido. O 2º Curso Nacional de Quadros se estende até este domingo, dia 19, com o encerramento feito pelo secretário de Organização, Walter Sorrentino.

De Atibaia (SP),
Priscila Lobregatte


 

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