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04 DE JANEIRO DE 2008, SEXTA FEIRA
FONTE: "New York Times" citado por "O Vermelho"
POR: Por Zef Zeleny, de Des Moines, para o The New York Times
Apelo de Obama por mudança sacode o campo democrata
"Nós somos um povo", disse Obama. "E a nossa hora de mudança chegou".
Seja por que estavam ávidos por deixar para trás as amargas divisões das últimas duas décadas, ou por quererem enviar a mensagem de que um pequeno estado branco pode transcender a questão racial, os votantes de Iowa entregaram ao senador Barak Obama a vitória aqui (em Des Moines) na quinta-feira. E apoiaram sua improvável candidatura desafiando os que advertiam que Obama era demasiado inexperiente em relações internacionais.

Ao contrário, o que pareceu guiá-los era a idéia de que Obama apresentaria ao mundo uma nova face dos Estados Unidos, com uma coalizão de democratas e independentes dissipando o ceticismo e enxurradas de "caucus" (assembléias) em todos os pontos do estado para sustentar um homem que chegou a Washington escassos três anos atrás.


"Nós somos um povo", disse Obama. "E a nossa hora de mudança chegou".
Foi a apenas um ano que Obama, 46 anos, senador por Illinois em seu primeiro mandato, decidiu formalmente buscar a candidatura democrata – o que até alguns dos seus mais próximos conselheiros temiam que viesse a diminuir seu potencial de longo prazo. Assim como ele aprendeu a se tornar candidato presidencial durante a caminhada, experientes mãos trabalharam politicamente na construção de uma organização sem paralelo, que ao final ajudou a quase dobrar o comparecimento dos "caucus" de quatro anos atrás.


Obama felicitou seus eleitores por rejeitarem uma litania de preocupações lançadas pelos rivais em torno de sua candidatura, tais como a de uma experiência demasiado pequena em questões eleitorais. Mas admitiu que sua vitória era apenas um início.
"Este foi o momento em que desmontamos barreiras que nos dividiram por longo tempo", disse Obama, "em que finalmente unimos gente de todos os partidos e gerações".


A força do seu desempenho – e um enérgico resultado do ex-senador John Edwards, da Carolina do Norte – abalaram a confiança na campanha da senadora Hillary Rodham Clinton e criaram uma nova incerteza na disputa pela indicação democrata. Mesmo antes da vitória de Obama ser formalmente proclamada, a campanha de Hillary anunciava que o ex-presidente Bill Clinton seria enviado a New Hampshire, para uma blitz de cinco dias antes das primárias na quinta-feira que vem. (Foi Clinton que sugeriu que a candidatura Obama poderia ser um jogo de dados, frase que Barak transformou em um mantra nos últimos dias, ao comparecer perante grandes multidões.)


"Felicito o senador Obama e o senador Edwards", disse Hillary, em Nova York, a seus apoiadores, tendo atrás de si seu marido e sua filha, Chelsea. "Juntos nós apresentamos a mudança". E, com um sorriso confiante, acrescentou: "Vamos nos levantar amanhã e continuar impulsionando tanto quanto pudermos".


Depois de um ano de uma campanha erguida sobre doações multimilionárias e uma rede de organizadores nas bases, Obama foi apoiado na noite de quinta-feira por eleitores jovens, desejosos de mudança, independentes e numerosos democratas muito liberais. Ao mesmo tempo, foi a escolha preferencial de um terço das eleitoras.
Na verdade, a pesquisa entre os democratas quando entravam nos "caucus" sugeria que as mulheres estavam muito divididas entre Barak e Hillary. Entre os homens, Obama se saía melhor, de acordo com a sondagem conduzida por Edison/Mitofsky e a Associated Press.


A candidatura de Obama ganhou solidez ao longo do ano. Também capitalizou um instável eleitorado em busca de mudança. Um dos momentos em que ele é mais aplaudido continua a ser quando declara que o presidente Bush estará fora do cargo dentro de apenas um ano.


"A grande diferença era que ele tinha a maior organização já construída neste estado", disse David Axelrod, estrategista-chefe da campanha de Obama. "E ela foi construída nas costas de garotos idealistas que vieram para cá não só porque acreditam em Obama, mas porque queriam mudar o curso da história e o mundo".


Os "caucus" de Iowa estreitaram o campo das candidaturas presidenciais democratas. Os senadores Christopher J. Dodd, de Connecticut, e Joseph R. Biden Jr., de Delaware, abandonaram a disputa depois da quinta-feira.


"Uma das acusações contra Iowa é que não representamos realmente o resto do país, e aqui está a chance de fazer um pronunciamento sobre o caráter inclusivo de Iowa", disse Jon Muller, 42 anos, que proclamou seu apoio a Obama em Precint 73. "Estou só querendo a mudança, e oposto a um Clinton ou um Bush".


No "caucus" que ocorreu na Igreja Congregacional de Plymouth, em Des Moines, os apoiadores de Obama transbordaram do local, tal como aconteceu em outros lugares.
Os resultados dos "caucus" de Iowa, Com Edwards e Hillary em acirrada disputa pelo segundo lugar, destacam a importância das primárias de New Hampshire, onde uma coleção de eleitores independentes já estava se inclinando para Obama.


Edwards prometeu que sua candidatura prossegue. Ao lado de sua mulher, Elizabeth, ele falou a apoiadores em Des Moines: "A única coisa clara neste resultado aqui nesta noite é que o status quo perdeu e a mudança ganhou", disse.


Mesmo que os observadores da campanha de Hillary Clinton tivessem começado a reduzir as expectativas de seu desempenho semanas antes, dizendo que ela tinha o semblante fechado, percepções negativas entre os eleitores de Iowa,marcas de sua imagem como primeira dama, os resultados colocaram novas questões a respeito de sua candidatura.


De fato, nos últimos dias antes da competição, alguns observadores começaram a recordar que o chefe de campanha de Hillary recomendara em maio que ela pulasse os "caucus", depois que uma pesquisa interna apontou que tinha alta rejeição no estado. Ela decidiu competir aqui, apesar de nem ela nem seu marido possuir raízes políticas profundas em Iowa.


Mesmo assim, seus apoiadores esperam que ela vença. "Eu esperava que ela chegasse em primeiro", disse Mario Gandelsonas, 68 anos, um arquiteto de Nova York que apóia Hillary e estava em Des Moines a trabalho. "Mas isso foi só o início. Eu conheço Hillary. Ela será a primeira, e ela vai vencer eles todos em New Hampshire. Isso vai lhe dar incentivo para lutar ainda mais."


Fonte: The New York Times


 

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