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09 DE NOVEMBRO DE 2008, DOMINGO
POR: Paulo Fidalgo e Carlos Brito
A opinião de Paulo Fidalgo e Carlos Brito sobre a eleição de Barack Obama
Na sequência da eleição de Barack Obama para Presidente dos Estados Unidos da América, fomos ouvir as opiniões de Paulo Fidalgo e de Carlos Brito, respectivamente, Presidentes da Direcção e do Conselho Nacional da Renovação Comunista.
Carlos Fidalgo enviou-nos a seguinte opinião:

É obviamente muito importante, tal como foi a eleição do Lula e a formação no Brasil de um governo de coligação do PT com o PC do B. Também no Brasil a direita coincidia com a esquerda na desvalorização do significado. A direita dizia que o Lula afinal não ia mudar nada e a esquerda sublinhava que o Lula teria traído ao aceitar nada fazer. Tudo conversa, como se mostra pelo desenrolar da política de Lula e o seu enorme impacto interno e externo. Com Obama, como dizia o camarada Sam Webb, presidente do PC dos EUA, também havia um esforço enorme para a direita dizer que o homem nada mudaria e a esquerda dizer que não mudaria nada. É evidente, como tantas vezes acontece na linguagem da polémica, as partes afirmam na aparência exactamente o contrário do que estão a pensar: a direita acha que vão existir mudanças reais, que quer desvalorizar, e a esquerda tem a ideia que não pode haver mudanças se não fica sem programa, isto é, tem medo que ele lhe roube algumas bandeiras.

É uma evidência que uma mudança vai acontecer, mesmo que ela surja do desapontamento que a paralisia nos enredos de Washington consigam amarrar o Obama. Os apoiantes de Obama vão querer mesmo mudar alguma coisa e encontrarão maneira de o conseguir. Eu, mesmo assim, pelas declarações do Obama, pelas posições e mesmo nos tactismos das omissões de campanha, parece-me que o Obama vai fazer parte do processo e não vai saltar para fora dele....

E não sou eu sozinho que o diga. É ver o diz o PC dos EUA e é ver o que diz o Fidel mesmo que rodeado de grandes e justificados cuidados.

Quem nesta história é patético é o PCP....

A de Carlos Brito é a seguinte:

Acho que não devemos ter receio de salientar a grande importância da vitória eleitoral de Obama. Começo pelo aspecto mais transparente: é o culminar retumbante de mais de dois séculos de dramático combate pelos direitos cívicos no Estados Unidos. (Nem isto o PCP é capaz de reconhecer). Saliento a seguir, a esmagadora derrota do chamado «pensamento» neo-conservador, no terreno político o que, depois da derrota do neo-liberalismo pela presente crise da economia mundial, representa uma grande limpeza na esfera ideológica, que abre caminho para verdadeiras alternativas. A alternativa de Obama é muito modesta em relação às nossas aspirações revolucionárias e vai ser objecto de «domesticação» por parte do aparelho do Partido Democrático e pelo complexo militar-industrial. Em comparação, porém, com as anunciadas reformas de Clinton, há que salientar que as circunstâncias históricas são bastantes diferentes, o programa de Obama é bastante mais avançado e parece ser muito mais consistente a determinação e a força interior, como personalidade histórica, deste pregador da mudança. Nisto reside, precisamente, a maior esperança que ele inspira, mas ao mesmo tempo, como a experiência demonstra, a maior fragilidade da mudança que promete. No entanto, por muito complicado que seja o próximo futuro, nada terá a ver com os tempos ameaçadores do «imperador» Bush (ainda não completamente terminados). Uma certa mudança já começou.


 

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