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- Caetano de Sousa, primeiro secretário geral do PCP
12 DE MARÇO DE 2021, SEXTA FEIRA
Comunistas tomam posição sobre o centenário do PCP!
CENTENÁRIO COMUNISTA. UM SÉCULO DE LUTA E TRANSFORMAÇÃO
Diversas personalidades do movimento comunista, depois da passagem do centenário, uma data querida e celebrada por todos, entenderam tomar posição sobre o atual momento da influência do ideal comunista e lançar pistas para a sua redinamização. Com a preocupação de não fugir ao reconhecimento da situação, os subscritores apelam à coragem para mudar e debater novos caminhos que permitam retomar a iniciativa e relançar o ideal comunista. A foto é de Caetano de Sousa, primeiro secretário geral do PCP, evocado recentemente por Luís Carvalho, no Público. Pode ver a lista de subscritores no final do texto.
Os últimos 100 anos mudaram Portugal e o mundo e o tempo acelerado que vivemos não vai no sentido imaginado pelos revolucionários de 1917. Ele é marcado por formas muito diferentes de vida e de exploração dos trabalhadores.

O centenário do PCP confunde-se com o centenário da própria ideia comunista em Portugal. É uma data celebrada por todos os que são comunistas, sejam membros ou não do PCP.

Nestes cem anos, orgulham-se os comunistas de terem sido a força motriz das grandes transformações políticas progressistas em Portugal: a conquista da liberdade, os avanços revolucionários de Abril, o fim da guerra colonial e a Constituição da República, entre outras. Ao longo da noite escura do fascismo foram heroicos os que empunharam a bandeira da liberdade e todos devem ser homenageados, desde os mais anónimos aos mais proeminentes que sempre recusaram o culto da personalidade.

O centenário do PCP acontece numa época de intoleráveis desigualdades, crise e perigos imensos para a democracia em todo o mundo, com ascenso da extrema-direita e tentativas de instauração de ditaduras.

Apesar de negras essas nuvens, os olhos dos excluídos viram-se com esperança para a ideia socialista. Nunca como agora o interesse pelas ideias do socialismo e do marxismo foram tão difundidas, incluindo nos EUA. Se é certo que se reforçam as condições para o ideal comunista conquistar apoios, a sua influência vem, paradoxalmente, declinando. Em Portugal, uma tal trajetória evidencia insuficiência de estratégia, incapacidade para o estabelecimento de alianças pertinentes e um posicionamento eivado de sectarismo. A não ser corrigida esta trajetória, arriscamo-nos a um inexorável definhamento que desprotegeria a luta dos trabalhadores, enfraqueceria a aspiração pelo socialismo e abriria a porta ao avanço da direita.

Este é um problema que não pode deixar de preocupar os comunistas, os que estão no PCP e os que não estão. Todos se devem inquietar e todos deveriam abrir espaço a uma séria reflexão, desejavelmente sem exclusões, em torno do que deve ser o ideal comunista na atualidade e qual a linha necessária para alcançar novos patamares em todas as áreas da sociedade.

O projeto de transição a que os comunistas ambicionam deverá ser suportado por um programa com o qual a maioria da sociedade se identifique e defenda. Construí-lo desta forma é um enorme e original desafio para o avanço da democracia em Portugal.

O ideal socialista precisa de ser reconfigurado. A exploração capitalista não acabou, mas faz-se em novas condições. A imensa maioria vive dos rendimentos provenientes do seu trabalho. A revolução tecnológica operou profundas mudanças no mundo dos que vivem dos seus salários. Produziram-se mutações no tecido laboral. A sociedade atomizou-se. Tornou-se mais difícil unificar largas massas populares. Por outro lado, entraram no mundo laboral outras camadas sociais. Porém, aumentaram as desigualdades. Em Portugal mais de vinte por cento da população vive na pobreza, uma das mais deprimentes chagas do capitalismo, modelo de sociedade, espalhado pelo mundo, que se orienta por políticas que convivem bem com a existência de exploradores e explorados, roubando a muitos destes o inalienável direito à dignidade humana.

O ideal socialista continua a ser o mais sólido e justo do ponto de vista dos interesses da imensa maioria dos trabalhadores, sejam efetivos, a prazo, precários, intelectuais, funcionários públicos, criadores ou outros. A estes juntam-se empresários que através do seu esforço criam emprego e riqueza.
No quadro da U.E. as transformações exigirão sempre e agora cada vez mais as solidariedades dos povos. Numa U.E. moderna e de paz impõe-se retificar a deriva neoliberal e enveredar por uma política de coesão entre os países.

É hoje necessária, mais do que nunca, uma séria abertura entre todas as forças de esquerda sem laivos de sectarismo. A envergadura das transformações exigirá de todas essas forças novas abordagens destinadas a entendimentos e convergências. Cada uma deverá ter a força da sua força, sem quaisquer direitos naturais.

O PCP deve ser modelo de democracia que antecipa na sua vida interna o sentido de aprofundamento do processo de democratização que deseja para o conjunto da sociedade. Os comunistas devem dar combate sem tréguas ao sectarismo, que prejudica o lançamento de ações de luta nas empresas e no país, e retomar a sua antiga e extraordinária tradição unitária.

Celebremos, pois, um século de luta dos comunistas portugueses e os extraordinários exemplos de avanço de que nos orgulhamos. Para que o segundo centenário frutifique, não podemos continuar a ignorar o que tem sido a redução da expressão da ideia comunista. Ter coragem implica agir de acordo com as circunstâncias, mas sem abdicar da firmeza das convicções. Se não houver essa coragem, a história não nos perdoará. Sejamos capazes de ir ao encontro do futuro levando na mão um dos mais belos ideais da Humanidade- o ideal socialista resgatado.

Abílio Travessas
António Avelãs
António Bica
António Cruz
António Martins Coelho
Armando Lopes
Bernardino Aranda
Carlos Bento Leal
Carlos Brito
Carlos Luís Figueira
Carlos Ramildes
Cipriano Justo
Domingos Lopes
Ernesto Afonso
Fernando Oliveira
Fernando Sousa Marques
Fernando Vicente
Guadalupe Simões
Hélio Samorrinha
Isabel do Carmo
Isabel Soares
Joaquim Lopes Neto
José Carlos Martins
José Carreira Marques
José Maria Silva
José Morais
José Tavares
Luís Gamito
Manuel Joaquim Cerdeira Dias
Maria Augusta de Sousa
Maria de Lourdes Teixeira Guerreiro
Maria João Andrade
Mário Dias Sousa
Mário Fonseca
Nelson Bertini
Nídia Zózimo
Orlando Almeida
Paulo Fidalgo
Paulo Jacinto
Paulo Sucena
Rodrigo Henriques
Rogério Brito
Rosa Nunes Lopes Brito
Rui Pato
Teresa Sampaio
Vítor Sarmento


 
"Socialismo"
Enviado por José Carlos Barata Fernandes, em 26-03-2021 às 23:42:03
Tenho interesse em falar pessoalmente, com camaradas que trabalharam directamente, comigo.
Exemplos:
Martins Coelho e Paulo Jacinto e outros....
Camarada-José Carlos Barata Fernandes
Comunistas tomam posição sobre o centenário do PCP!
Enviado por João Castro, em 14-03-2021 às 20:23:21
É verdade. São muito maiores as desigualdades agora do que o eram antes mas o PCP é sem dúvida nenhuma o menos culpado disso. De todas as críticas que se podem atribuir ao Partido Comunista Português nenhuma delas tem que ver com a falta de investimento na luta pelos direitos de quem vive do seu trabalho. Daqueles que acusavam o PCP de ortodoxia, e alguns são Renovadores Comunistas, deverão reconhecer agora que a coerência do partido era justificada até porque a falta dessa ortodoxia levou ao desaparecimento de todos os outros partidos comunistas por essa europa fora e isso os Renovadores Comunistas nunca chegaram a perceber.
Já disse antes que também ao PCP se devem algumas críticas e aponto aqui a maior delas na minha opinião. A não procura do diálogo permanente com todos aqueles que foram um dia militantes do partido. Mesmo que isso nunca tivesse dado resultados positivos a manutenção do diálogo era imperativo. Pelo conteúdo deste texto posso apontar esta mesma crítica à Renovação Comunista. Como consequência desta disponibilidade para a luta comum já iniciou a RC os contactos para atingir esses objectivos?
Dito isto, é tempo de olhar o futuro e este texto de homenagem aos 100 anos de comunismo (homenagem ao PCP) em Portugal abre algumas (boas) perspetivas para a luta que se avizinha. Mas desenganem-se aqueles que acham que o ideal comunista está agora em pleno desenvolvimento pelo mundo fora e até nos EUA. O que está em absoluto crescimento é sem dúvida o anti Liberalismo/Neoliberalismo pela degradação do nível de vida daqueles que já tinham dado por garantido que tinham subido na vida, e este texto dos RC é também o espelho disso mesmo. Temo eu que esta manifestação de disponibilidade para uma luta comum que se deseja, se esmoreça assim que as coisas melhorarem em termos de nível de vida e o Socialismo passe a ser um sonho dos antiquados ou melhor dos utópicos ingénuos.
João Castro

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