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02 DE JANEIRO DE 2021, SÁBADO
FONTE: RC
Celebrar Carlos do Carmo: o homem na cidade
A Renovação Comunista envia condolências à família de Carlos do Carmo e presta homenagem ao seu percurso artístico e político
Do artista muito se tem dito com homenagem justa à figura que tanto fez evoluir o fado, que soube acolher contributos diversificados e projetar a singular universalidade da canção de Lisboa.

Com a morte, há a tendência em tornar o homem em mero ícone de museu, tende-se a esvaziar o homenageado do nervo que foi a força da sua vida e intervenção e os dramas de um tempo de mudanças prodigiosas a favor de uma mera cronologia fria de eventos. Há neste caso, devemos dizê-lo, a tendência para esvaziar Carlos do Carmo do que foi a sua vontade ímpar em contribuir para um país mais democrático e socialista, sem abdicações.

Ao longo de toda a sua vida, Carlos do Carmo foi parte ativa, singularmente ativa, do esforço de luta contra o fascismo, na ajuda e cobertura ao trabalho clandestino dos funcionários revolucionários do PCP, sem cuja ação não teria acontecido o milagre da revolução do 25 de Abril, nem o seu impetuoso desenvolvimento posterior na aliança do povo com o MFA. Não teria sido possível tornar a festa do Avante no mais importante evento cultural popular da democracia, nem teriam sido possíveis tantos avanços, na luta por colocar a direita em minoria ou para ganhar para a esquerda a Câmara Municipal de Lisboa.

Carlos do Carmo é parte de uma geração que protagonizou a nobreza da luta política por ideais elevados que nunca deixaram e não deixarão de animar a luta. Na hora em que aplaudimos o artista, não valorizamos menos a sua contribuição cívica e política, pois foi ela também que moldou a arte e o país que somos.

Entre arte e política, não existe uma divisória intransponível. Pelo contrário, Carlos do Carmo foi o artista que foi e que modelará a arte do futuro porque foi também politicamente empenhado, no campo da esquerda. E o ideal democrático e socialista beneficiou por sua vez da sua arte também e dos muitos artistas que com ele interagiram. Na sua ação política pontificou o desejo e o objetivo de juntar forças, de fazer convergência, como aconteceu no exemplar processo da vitória da esquerda na Câmara de Lisboa. No mesmo sentido foi o seu estilo unitário de trabalho, no campo da arte, como profissional que deu apoio às novas gerações de artistas, a todas as inovações que constantemente procuram romper, e sofrem por afrontar o que se torna cristalização e imobilismo. Por isso se notou nestas horas como foram numerosos os depoimentos de elogio e dor pela perda de Carlos do Carmo por tantos e tantos artistas que unanimemente evocaram o papel modelar da sua presença no apoio aos novos.

A Renovação Comunista associa-se às homenagens do país a Carlos do Carmo e envia as suas condolências à família.


 

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