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05 DE ABRIL DE 2008, SÁBADO
POR: Margarida Moreira
Educação, avaliação de professores, estatuto do aluno e…indisciplina
"A escola de sucesso é aquela que de uma forma sábia, coesa e eficaz cria um melhor “saber”, e “estar” em todo o seu corpo docente e discente."
Conta uma lenda Portuguesa, muito antiga , que um velho homem achando-se perto da morte e preocupado com o futuro dos seus sete filhos, mandou chamá-los a todos. Deu a cada um, uma vara e pediu-lhes para a partirem. Cada um deles partiu-a com muita facilidade. Juntou depois um molhe enorme de varas e voltou a pedir-lhes que as tentassem partir, agora, todas juntas. Eles bem tentaram mas nenhum teve força suficiente para o fazer. Perguntaram ao pai porque lhes tinha ele pedido para fazerem tudo aquilo. Ele explicou-lhes que se, se mantivessem unidos pela vida fora , como o molhe de varas, seriam inquebráveis , mais fortes e era esse o pedido que ele lhes tinha a fazer, antes de se despedir desta vida.

Aquele velho pai queria assegurar-se que os seus sete filhos, cada qual com os seus defeitos e qualidades, ficassem juntos para o bem, pois ele era um bom homem. Estava a fazer aquilo que nós humanos fazemos hà milhares de anos: passámos valores intemporais às gerações seguintes. Valores que recebemos também dos nossos antepassados.

Esta história pode ser uma bela metáfora para abordarmos os problemas da actual Escola portuguesa, este pai, estava ainda na sua despedida, a educar os seus filhos, passando-lhes valores que ele próprio já tinha recebido dos seus antepassados.

A Escola tal qual a casa desta família, é ainda um espaço, morada do ser individual e do ser colectivo, onde tal como na antiga Grécia, berço da nossa civilização, se educavam as gerações mais novas, com os melhores valores espirituais e físicos , onde a ética e a estética eram inseparáveis e valor fundamental.

Hoje, numa sociedade como a nossa, em crise de valores , onde a velocidade impera, tanto nas estradas, como na formação de opiniões, como nas montras das lojas, onde todos os dias vemos chegar novos e fantásticos aparelhos de design cada vez mais “fashion” , multifacetados e potentes ,fruto de uma indústria que por razões óbvias não pode parar, e que, em televisões, blogues , U tube´s, telemóveis,etc, nos exibem, nos confrontam com um leque variado de heróis e heroínas, vindos de perto e de longe, muitos deles virtuosos, outros tantos nem por isso, mas que chegam muitos deles, injustamente ao topo mediático, apenas pela repetição visual , que nem sempre evidencia valores positivos, bem pelo contrário….

Mais que nunca a Escola precisa em conjunto de reflectir, questionar, os valores desta época de mudança, para de uma forma inteligente se consciencializar do que quer para si mesma, para assim permitir que todos desenhem o seu “ser” individual de uma forma responsável, com uma carta de valores positivos e democráticos, em volta dos quais todos se tem que unir, se é que queremos todos juntos sem descriminações, perservar valores intemporais para as gerações vindouras .O destino da escola deve ser construído, sempre, de uma forma cooperativa, com partilha de responsabilidades, em coesão. Só assim terá mais sucesso, pondo mais em evidência o “ser colectivo”: o “nosso” trabalho de professores deve ser mais importante que o “meu trabalho “.

E quem somos nós na escola: alunos , professores, auxiliares de educação , gestores , funcionários administrativos. E de quem precisamos para colaborar connosco? encarregados de educação, autarquias, Ministério da Educação. E temos essa colaboração ?Este é mais um ano lectivo em que o Ministério da Educação continua a desprestigiar a Escola pública:
-“oferece-nos” uma lei sobre “avaliação de professores” a meio de um ano lectivo, que cria o caos na Escola. O Ministério da Educação parte do principio que alguns dos professores, devem ter um título especial, que lhes deve conferir poderes especiais. Dantes éramos todos “professores”, com mais ou menos experiência, com mais vontade ou menos, de cooperar . Deveria ser o “nosso” trabalho a ser valorizado e avaliado, mas não, segundo esta filosofia estranha, a escola deve ter professores “super stars” e outros de segunda categoria. Fomenta-se assim caminho para a competição entre pares, fraccionando de forma violenta os profissionais da Educação. Esta lei da avaliação dos professores , passa assim por cima dos valores positivos da escola- o da coesão, da entreajuda, o trabalho cooperativo, a partilha de responsabilidades, coisas que desenham o “ambiente da escola“ ,que se quer o de comunhão de um destino. A escola é um todo que só vale quando todos os seus elementos caminham juntos e só isso faz sentido avaliar neste momento complicado da nossa história.
È num ambiente de coesão que se podem encontrar soluções para resolver os problemas como o do insucesso a vários níveis. Cabe-lhe, à escola e ao Ministério, divulgar , disseminar, por em prática boas teorias pedagógicas . A escola de sucesso é aquela que de uma forma sábia, coesa e eficaz cria um melhor “saber”, e “estar” em todo o seu corpo docente e discente. Um dos problemas que a Escola deve resolver com urgência é o problema da indisciplina . Uma política educacional errática, baseada em teorias pedagógicas que colocaram a criança e adolescentes, seres em construção, como o centro do mundo, deram-lhes em muitos casos uma arrogância muito para além do aceitável nestas idades, que os põe infelizes, desorientados a eles e toda a comunidade escolar. Estas perturbações instalam-se a todo o momento na escola, na sala de aula , quebrando os elos de fraternidade e respeito que deveriam existir entre os representantes de duas gerações ali presentes, professores e alunos que ali deveriam estar centrando as suas energias no conhecimento.

Professores de cabelos brancos, com dezenas de anos de experiência profissional, licenciaturas e mestrados, cursos de formação vários, enfim um vida dedicada à busca de um melhor saber para melhor ensinar, vêem os jovens, seus alunos , imbuídos do triste espírito do novo “Estatuto do aluno” , que vem ainda piorar o que há décadas anda mal: o questionar permanente da palavra de professor e consequente desgaste contra-produtivo da sua autoridade, sem a qual é realmente muito difícil ensinar e aprender. Quem quer aprender com uma voz tão desautorizada? Quando tudo deveria ir no sentido de dizer aos jovens que sem respeito pelos professores, sem esforço e dedicação intelectual não há desenvolvimento pessoal , vemos pelo contrário cada vez mais o jovem commais poder, para sistematicamente por em causa a transmissão de valores e sabedoria que há milénios passa de geração em geração. Esta política do Ministério da Educação é mesmo…“contra-natura”.

A avaliação dos professores e da escola já há muito que está feita: temos muita paciência….até ver !

Margarida Moreira
Professora, membro da "Renovação Comunista"


 

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