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28 DE MAIO DE 2012, SEGUNDA FEIRA
José Manuel Basso
Carmelo Aires, atual 20 anos depois
1. Na edição de 18 de Maio do «diário do alentejo»,com grande destaque de capa, o novo presidente da comissão de coordenação e desenvolvimento regional do alentejo,António Dieb,proclama que:«o nosso grande falhanço tem sido a incapacidade de atrair investimento» e que é preciso encontrar uma estratégia de desenvolvimento que passe pelo «investimento produtivo e gerador de mão de obra qualificada».
2.Onde é que já ouvimos isso? Quantas vezes e há quanto tempo ?Ao longo de mais de 30 anos e a gente de todos os quadrantes políticos.E não só da política.Também do mundo empresarial e dos sindicatos.Alguns alicerçados nos respetivos «cargos» tendencialmente até que a morte os leve.Isto ,num século e num tempo em que até Cuba( a de Fidel ,não a do vinho alentejano),no aperfeiçoamento do socialismo e na limitação temporal do poder,limita o exercício de cargos em funções institucionais ou partidárias a dois períodos de cinco anos.

3.Há cerca de 20 anos ( é verdade,mesmo vinte !) ,num hotel de Portalegre( também já,sem espanto,entretanto encerrado) o PCP distrital promovia uma iniciativa política justamente sobre desenvolvimento regional. Num momento (fugidio) de espantosa abertura política deste partido, o «artista principal» do conclave foi ,nada mais nada menos,que o presidente da CCRA de então, Carmelo Aires.Que dizia,sem hesitações e sem que alguém o contestasse, ser obrigatório o ciclo seguinte de fundos comunitários ter como destino dominante as infra estruturas para o desenvolvimento económico e projectos de iniciativa económica, tanto privados como de iniciativa do poder local ou de instituições de natureza social.
Defendia,com grande convicção ,que ,só excecionalmente e com forte justificação outras áreas (infra estruturas básicas e equipamentos da área social) seriam elegíveis.

4.O problema é que no ciclo seguinte (Guterres e seus novos dirigentes da CCRA ) ,em vez de se seguir no caminho apontado por Carmelo ,o dinheiro comunitário virou muito pouco para o sector económico.Mesmo muita coisa não elegível no 1º QCA (ciclo inicial de ajudas da então ainda CEE) passou a sê lo ,aparentemente com aprovação ,às vezes até entusiástica , dos atores da região . Os fundos passaram a financiar infantários e escolas,muitas delas entretanto,caricatamente, já encerradas por falta de alunos ou postos médicos,alguns também já sem médicos,enfermeiros ou utentes!!!E equipamentos similares sem qualquer efeito desenvolvimentista...
Hoje,em 2012,com frequência,vê se o logótipo do QREN a patrocinar ou apoiar espetáculos e festarolas locais ( sem alcance turístico mínimo )que deveriam comunitária e solidariamente ser pagas pela comunidade local,sempre disponível de resto para comparticipar na ajuda a todo o tipo de obras de índole social.

5.Sobre a questão levantada da «mão de obra qualificada» e (acrescentamos nós) dos vulgarmente designados «quadros» a coisa arrepia ainda mais fino e sobre isso nos propomos opinar proximamente...